Mindset de Crescimento ou Mindset Fixo: qual deles você vai escolher?

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Carol Dweck, professora de psicologia da Universidade Stanford e especialista em sucesso e motivação, durante décadas de pesquisa, desenvolveu um conceito muito importante e transformador: mindset, ou seja, a atitude mental com que encaramos a vida, nossa mentalidade, nosso modelo mental.  Segundo ela, o mindset não é simplesmente um traço de personalidade. Na verdade, ele define nossa relação com o trabalho, com as pessoas, a forma como educamos nossos filhos e como alcançamos o sucesso. De acordo com a pesquisa, dependendo da maneira  que lidamos com os fatos e nossos objetivos, podemos alcançar o sucesso ou não. Podemos perceber através deste estudo o poder das crenças pessoais.

A  Terapia Cognitivo Comportamental (TCC),   já trabalha com o conceito de crenças há muitos anos. Segundo a TCC, as crenças nos influenciam na nossa visão sobre nós mesmos, sobre o futuro, sobre o mundo, nos nossos pensamentos, emoções e comportamentos e na maioria das vezes não temos consciência disso.

Carol Dweck também constatou que muitas vezes não temos consciência dessas crenças, mas elas têm forte influência sobre aquilo que desejamos e sobre nossas chances de consegui-lo. Muito do que você acredita ser da sua personalidade, na verdade é gerado pelo tipo de mindset que você desenvolveu ao longo da vida. Os mindsets são parte importante e bem significativa de sua personalidade, mas a boa notícia é que você pode modificá-los. A partir do momento que você entende e toma consciência do que é, você pode começar a raciocinar e agir de forma diferente. Outra questão interessante é que, segundo este estudo, mesmo que a pessoa não possua capacidade inata em determinado assunto, através de dedicação e esforço podem desenvolver habilidades extraordinárias. As qualidades  humanas, como as habilidades intelectuais, podem ser cultivadas por meio do esforço, perseverança e até mesmo com erros e fracassos. Sendo assim, a crença que muitas pessoas têm de que as qualidades humanas são sempre inatas, ou só podem ser desenvolvidas até uma certa idade, é totalmente questionável.

Os mindsets são divididos em fixo e de crescimento, como podemos ver abaixo:

Mindset fixo: as pessoas com mindset fixo acreditam que nasceram com uma cota de inteligência que não vai mudar. Essa crença dificulta o desenvolvimento,  a mudança e a aprendizagem. Este tipo de mindset  limita nossas realizações.  Por ter essa crença limitante, estas pessoas evitam desafios, experiências novas, com medo de parecerem menos inteligentes que as outras.  O medo do fracasso e das adversidades podem engessar estas pessoas. Preocupam-se com julgamentos, avaliações, rótulos, têm medo da rejeição. Acreditam que quem tem talento não faz esforço. Tendem a atribuir culpa aos outros, pois ter problemas ou dificuldades para eles é sinal de deficiências ou fraquezas. Precisam provar constantemente sua competência e é comum entrarem em competição com as pessoas. Todas essas questões podem gerar estados de  ansiedade, preocupação e pensamentos perturbadores. Temem o risco. Acreditam que algumas pessoas são superiores e outras inferiores. O sucesso consiste em provar que você é inteligente ou talentoso, se auto afirmar. O fracasso está em encontrar uma adversidade, como tirar nota baixa, perder um torneio, ser despedido do trabalho, receber um feedback, ser rejeitado, ou seja, isso quer dizer que essa pessoa não é inteligente e talentosa. O esforço neste minsdset é visto como  algo ruim. 

Mindset de crescimento:  acreditam que sua inteligência melhora cada vez mais pela aprendizagem e que o caminho do sucesso está no resultado do seu trabalho intenso e de  seu esforço.  São aprendizes. Para as pessoas de mindset de crescimento, é possível mudar as qualidades. Estas pessoas estão abertas para aprender algo novo.  O fracasso é oportunidade para crescer. Neste mundo, o esforço é o que o torna mais inteligente e talentoso.  As aptidões podem ser cultivadas, as coisas podem ser aperfeiçoadas. Para eles temos capacidade para crescer e mudar. Essas pessoas possuem um nível de satisfação maior na vida e têm mais facilidade de perdoar, deixar de lado a culpa e seguir adiante. Possuem habilidades  sociais mais desenvolvidas. Focam mais no processo, na aprendizagem. Gostam de desafios. Normalmente já vivem uma vida de realizações e satisfações. Acreditam que temos escolhas.

É importante salientar que em cada campo de nossa vida podemos ter diferentes mindsets.

Agora que você já sabe o que é mindset, qual deles você vai escolher para sua vida?

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Você já ouviu falar de assertividade?

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Nos dias de hoje ouvimos cada vez mais falar sobre assertividade, habilidade social, comportamento assertivo. Até poucos anos atrás o foco era na inteligência intelectual, mais conhecida por QI. Com certeza desenvolver nossa inteligência e adquirir conhecimento é muito importante,  mas existe algo que até pouco tempo atrás ninguém prestava atenção que é a inteligência emocional. Ter habilidade social ou ser assertivo faz parte da inteligência emocional, muito buscada pelas empresas com uma visão mais moderna quando estão selecionando alguém para entrar em sua equipe.

Então o que é ser assertivo?

Ser assertivo é saber se posicionar, defender seus direitos, expressar seus pensamentos e as coisas que você acredita, porém de uma forma direta, apropriada, sem ofender ou violar os direitos da outra pessoa, escolhendo o momento certo e a maneira certa. Muitas pessoas consideram que se comunicar bem é falar tudo que pensa, ou falar muito, ou ser super sincero.

Entenda um pouco mais sobre os tipos de comportamentos e veja em qual você se encaixa: 

Falando de comportamentos, temos então o comportamento  inassertivo ou passivo, o agressivo  e o assertivo.

INASSERTIVO (passivo): o indivíduo com esse comportamento, prioriza os desejos das outras pessoas e não os seus. Na verdade, costuma abrir  mão dos seus desejos para agradar o outro. Outra característica é que essa pessoa tem dificuldade de dizer “não”. Faz sempre o que as pessoas querem, tem dificuldade de expressar o que pensa, o que sente e o que espera. Preocupa-se exageradamente em magoar e afastar as pessoas que gosta. Quem o observa de fora, normalmente o vê como uma pessoa calma, porém muitas vezes esse indivíduo fica remoendo pensamentos e está ressentido com os outros, tentando conter suas emoções e não demonstrar sua frustração. Não se posiciona e vai acumulando pensamentos e emoções, podendo  vir a explodir e expressar tudo que pensa ao mesmo tempo e de forma exagerada ou não se expressa de maneira alguma e acaba adoecendo ou tendo alteração de humor.

AGRESSIVO: ao contrário do INASSERTIVO, faz o caminho inverso. Fala tudo que pensa, em qualquer momento, para qualquer pessoa. Desconsidera os desejos da outra pessoa, pois só considera seus próprios desejos e convicções. Tenta alcançar o que quer a qualquer custo. Tem como características ser ríspido e inflexível quando lida com as outras pessoas. Não ouve o outro, só fala. Quando ouve, julga através das suas próprias crenças e não ouve de fato. Muitas vezes usa a frase: eu sou sincero! Eu falo o que penso!

ASSERTIVO: é o equilíbrio esperado no comportamento, nas interações sociais. Considera seus próprios desejos, mas também considera os desejos do outro. Sua postura é flexível, conciliatória, visando achar o equilíbrio entre ambas as partes. Usa como principal recurso para obter esse equilíbrio a “empatia”, ou seja, sabe se colocar no lugar do outro, ouvir e se expressar de uma forma cuidadosa e sensível. Busca ouvir de fato, sem julgar, até a outra pessoa concluir seu raciocínio. Analisa se o momento é propício para se posicionar e tem cautela no uso das palavras.

Ser assertivo gera bem estar, relações mais saudáveis na vida pessoal e no trabalho!

Fobia Social: muito mais que timidez!

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Homem-resusando-microfonefobiasocial                                  A Fobia Social é um transtorno que atinge uma grande parte da sociedade e traz  consequências que prejudicam a vida das pessoas. Caracteriza-se por emoções como ansiedade e medo intensos em situações sociais e que envolvam desempenho, levando ao sofrimento e perda de oportunidades. O medo e a ansiedade são muito fortes e persistentes ou constantes.

Segue abaixo, algumas das queixas dos indivíduos que procuram ajuda psicológica:

  • Não consigo frequentar festas, ir a restaurantes ou locais públicos;
  • Não consigo fazer amizades ou ter um relacionamento amoroso;
  • Não consigo apresentar trabalhos ou falar em público;
  • Não consigo ir a uma entrevista de emprego ou lidar com clientes;
  • Não consigo participar de reuniões e me posicionar;

É comum, aparecerem relatos como:

  • Temer agir de uma determinada maneira e ser avaliado, julgado, observado;
  • Deixar transparecer a ansiedade que está sentido, como se todos pudessem perceber;
  • Medo de passar por humilhações, situações embaraçosas, constrangedoras;

 Vale lembrar que não é um medo ou uma ansiedade normal, que costumamos sentir em algumas situações e logo passam. Não é uma simples timidez. É um medo e ansiedade excessivos, irracionais.

Quando o indivíduo se expõe a situação social temida, sente uma ansiedade tão intensa, que pode levar a um ataque de pânico e muito sofrimento.  O medo e a ansiedade podem começar semanas antes do evento social acontecer, pois o indivíduo imagina o fato, na maioria das vezes de uma forma negativa. Após o evento, quem sofre de Fobia Social, pode ficar avaliando sua performance de forma negativa e ficar remoendo pensamentos, pois muitos indivíduos são rígidos e exigentes consigo mesmos, e acreditam ter que ser sempre competentes e não poder cometer erros. Procuram se isolar e sentem solidão. A ansiedade excessiva na presença de outras pessoas é um dos principais sintomas da Fobia Social. 

Os sintomas físicos são:

  • Vermelhidão no rosto;
  • Sudorese intensa;
  • Tremores;
  • Tensão muscular;
  • Fala tremida;
  • Taquicardia;
  • Boca seca;
  • Em alguns casos, ataques de pânico, entre outros;

A combinação da Terapia Cognitivo Comportamental e medicação é muito recomendada como tratamento. Em alguns casos, a Fobia Social vem acompanhada de outros transtornos como depressão ou uso de álcool ou drogas, trazendo mais sofrimento. Algumas pessoas chegam a se automedicar, o que é muito perigoso e prejudicial.

Espero que tenha ajudado! Abraços a todos!

Transtorno de Pânico ou Síndrome do Pânico

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Pânico

Na postagem anterior, abordei o tema ansiedade. Agora que você já entendeu o que é ansiedade, abordarei aqui um tema muito presente nos atendimentos clínicos: o Transtorno de Pânico ou Síndrome do Pânico.

O Transtorno de Pânico faz parte dos diferentes transtornos de ansiedade. Mesmo que você nunca tenha tido ataques de pânico, alguém que você conhece pode estar passando por isso e muitas vezes nem sabe do que se trata ou que existe tratamento especializado.

Conheça as sensações físicas que podemos apresentar durante um ataque de pânico:

  • Palpitações ou ritmo cardíaco acelerado;
  • Sensações de falta de ar;
  • Sensações de asfixia;
  • Dor ou desconforto no peito;
  • Suor;
  • Tremores;
  • Náusea ou mal-estar abdominal;
  • Boca seca;
  • Sensações de tontura, desequilíbrio ou desmaio;
  • Visão embaçada ou borrada;
  • Sensação de não se saber onde está;
  • Sensação de perder a ligação com a própria personalidade;
  • Dormências ou formigamentos;
  • Calafrios ou ondas de calor;
  • Tensão corporal;

O Transtorno de Pânico é uma experiência sofrida, causa uma perturbação muito grande na vida da pessoa. Essas pessoas costumam sentir muita ansiedade e medo. Nesse caso, a ansiedade não está sendo útil, ela atinge um grau muito elevado e prejudica o desempenho da pessoa, se torna prejudicial, patológica, por isso é chamado “Transtorno de Ansiedade”. O Transtorno de Pânico é um transtorno de ansiedade aguda.

A pessoa começa a passar mal, tem um ataque de pânico, esse ataque acontece novamente e ela não sabe o que está acontecendo e de onde vêm esses sintomas. É comum acreditarem que estão doentes fisicamente e procurarem atendimentos de emergência, passarem de médico em médico e fazerem muitos exames. Como não apresentam uma doença física, saem da consulta muitas vezes com a informação de que não têm “nada”. É muito difícil a pessoa sentir sintomas tão fortes e desagradáveis e ouvir que não tem “nada”, que está bem de saúde. Na verdade, não tem nada físico. É muito importante que o médico explique que esses sintomas estão acontecendo por intensa ansiedade e que faça um encaminhamento para consulta com um psicólogo ou psiquiatra.

A pessoa que sofre ataques de pânico apresenta pensamentos catastróficos de que está enlouquecendo, perdendo o controle, de que vai desmaiar ou até mesmo morrer. Devido as sensações que sente, fica muito assustada. Muitas pessoas sofrem caladas, têm vergonha de comentar, não procuram ajuda e chegam a sofrer anos.

Algumas pessoas que sofrem ataques de pânico, podem desenvolver agorafobia. Agorafobia são medos que ocorrem em situações das mais diversas e que a fuga possa ser considerada difícil. Ela pode acontecer sem que a pessoa tenha tido ataques de pânico também. Por exemplo: medo de pegar um elevador e não conseguir sair, medo de passar por um túnel e ficar presa, medo de ficar em uma sala fechada.

Como podemos ajudar?

É muito importante a validação dos sintomas da pessoa, ou seja, ela saber que você entende e acredita no sofrimento que ela está sentindo. É tão frequente hoje em dia esse transtorno, que atinge 1,5 a 2,5% da população mundial (Klerman,1993). Saber disso pode fazer uma grande diferença, pois ela não é a única e não está enlouquecendo! Só o fato de ser acolhida e orientada sobre que caminho deve seguir, já é uma grande ajuda!

O tratamento 

O tratamento do Transtorno de Pânico envolve o trabalho do médico psiquiatra, que vai medicar esse paciente e do psicólogo. Fazer um tratamento combinado, com esses dois profissionais, trará resultados muito melhores e mais rápidos.  A abordagem da psicologia que apresenta resultados mais satisfatórios é a Terapia Cognitivo Comportamental.  O tratamento farmacológico visa principalmente evitar que o paciente tenha novos ataques de pânico, para que não fique cada vez mais complicada sua situação. As técnicas cognitivas comportamentais vão envolver desde uma reestruturação cognitiva e enfrentamentos até técnicas de relaxamento e respiração. Trabalhamos com a psicoeducação, desenvolvimento de habilidades para manejar as crises e reestruturação de suas vidas.

Espero que tenha ajudado e que você possa ajudar alguém!

Abraços!!!

Como você lida com a ansiedade?

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A ansiedade é uma emoção natural na vida do ser humano. Todos nós, em algum momento, sentimos ansiedade. Muito se ouve falar da depressão, porém a ansiedade pode ser uma emoção muito perturbadora quando sua intensidade é alta e começa a  trazer prejuízos para a vida das pessoas. Ela pode limitar nossas vidas. Saiba que milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de algum tipo de transtorno de ansiedade, sendo hoje um dos principais problemas de saúde mental e de muitos afastamentos do trabalho, isolamento social, entre outras coisas. É preciso e é possível aprender a trabalhar com a ansiedade, bem como aceitá-la, ou seja, trabalhar com  ela e não deixar que a mesma sabote ou controle sua vida.

Estarei abordando aqui, nas próximas postagens, diferentes tipos de transtornos de ansiedade. Primeiramente, vamos entender mais sobre ela e você poderá identificar se precisa procurar ajuda especializada.

Algumas situações exigem a ansiedade. São situações que você precisa de todos os seus recursos para enfrentar algo. Muitas pessoas percebem e definem a ansiedade como nervosismo ou medo. Muitos de nós, conhecemos bem os sintomas físicos da ansiedade, como por exemplo: o coração batendo mais acelerado, tensão muscular, alteração na respiração, suor, tremores, tonturas, etc. Muitos desses sintomas, levam as pessoas a acreditarem que seu problema é físico e não emocional e fazem com que as pessoas constantemente busquem os médicos, normalmente clínicos gerais, cardiologistas, que acabam não encontrando alterações físicas e encaminhando esse paciente para uma avaliação com um profissional da psicologia ou psiquiatria. Como não se constata uma doença física, é comum as pessoas que convivem com esse paciente, como família, amigos,  não validarem sua queixa. Saibam que essas sensações realmente acontecem, são reais e podem ser muito limitantes na vida da pessoa, trazendo muito sofrimento, portanto ela precisa de apoio, carinho, compreensão e incentivo para buscar o tratamento adequado.

Para que serve a ansiedade?

Ela serve para ajudar o organismo. Vamos supor que você se encontra em uma situação de perigo ou ameaça e precisa agir rapidamente. Está atravessando a rua e um carro vem em sua direção. Você precisa ter uma reação rápida para preservar sua vida. A ansiedade nos prepara para atacar ou  para fugir. Portanto, precisamos aprender a aceitá-la e viver bem com ela. Sem ela, você ficaria na frente do carro, bem tranquilo, olhando o mesmo se aproximar e é possível que fosse até atropelado.

Ela nos acompanha desde a época das cavernas, onde viviam nossos ancestrais. Imaginem quantas situações de risco essas pessoas passavam em seu dia a dia. Você realmente acredita que se não tivessem respostas rápidas, nossa espécie teria sobrevivido? Estaríamos hoje aqui? Essas pessoas precisavam de respostas automáticas, rápidas!

Hoje em dia, podemos considerar que vivemos em um ambiente mais seguro, porém ainda é importante a preservação da vida e também nos deparamos com situações de risco ou desafiadoras. Uma prova em um concurso que pode mudar sua vida, uma possibilidade de promoção no trabalho, o vestibular para entrar na faculdade, uma reunião importante, um assalto, uma tomada de decisão, uma competição esportiva, enfim, são tantas situações que nos deparamos em nossas vidas e a ansiedade está presente. Ela ajuda a enfrentar os desafios, nos deixa alerta e com  respostas rápidas. O problema surge quando o nível de ansiedade é desproporcional à situação. A ansiedade pode se tornar disfuncional, ou seja, ao invés de nos preparar para ação, passa a nos prejudicar nessa mesma ação. Por exemplo: o atleta fica tão ansioso antes da competição, que começa a vomitar, passar mal, ter tonturas e não consegue competir. O estudante que está fazendo o vestibular fica tão ansioso, que não lembra do conteúdo que tanto estudou, ou seja, o famoso “deu branco”.  Até mesmo a pessoa que precisa falar em público, por exemplo, ou apresentar um trabalho na faculdade e não consegue nem  sair de casa e acaba evitando a apresentação, ficando assim sem nota. São tantos os casos, mas de qualquer forma, o importante é que você entenda que precisamos aprender a lidar com a ansiedade e que com ajuda profissional, isso é perfeitamente possível. Podemos aprender a manejar nossas emoções.

A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) tem demonstrado ótimos resultados para trabalhar com ansiedade ou transtornos de ansiedade.  Ela chama a atenção não só para a percepção de sensações físicas específicas, mas para crenças que a pessoa adquire ao longo da vida, principalmente durante a infância, bem como  pensamentos, percepções e comportamentos.  A maioria das pessoas ansiosas já têm uma boa noção dos sintomas físicos, porém através da terapia, poderá aprender outros fatores muito importantes. Os pensamentos que acompanham a ansiedade são diferentes dos que nos acompanham quando temos depressão. No caso da ansiedade, temos a percepção de perigo, ameaça e vulnerabilidade.  Essa ameaça ou perigo pode ser física, mental ou social. Na ameaça física, acreditamos que poderemos ser machucados fisicamente, como por exemplo, uma assalto, sermos atacados por um animal, ter um tumor no cérebro, um ataque cardíaco, etc. No caso da ameaça social, acreditamos que seremos avaliados, julgados, humilhados, rejeitados, envergonhados. Na ameaça mental, acreditamos que estamos ficando loucos, perdendo a cabeça. Claro que essa percepção de ameaça é diferente em cada um de nós. Nossas experiências ao longo da vida, a interpretação que fazemos das situações que passamos, as crenças que adquirimos sobre nós mesmos, sobre o outro, sobre o mundo, influencia em nossa percepção, nossos pensamentos, que acabam gerando emoções, comportamentos e reações fisiológicas em nosso corpo. Podemos nos sentir ameaçados com pequenas coisas, porém não são pequenas para nós mesmos.  Outras pessoas já se sentem mais seguras, protegidas e autoconfiantes.

A percepção do perigo ou ameaça, ou até mesmo da nossa vulnerabilidade pode ter nos ajudado, durante uma fase de nossas vidas, a nos preservar, a sobreviver. Um exemplo, pode ser quando vivemos quando crianças, em um lar violento. Vamos pensar em um pai que bebe muito e chega em casa agressivo e batendo.  Perceber essa ameaça, pode ajudar a criança a fugir do perigo, se esconder, se proteger, até que esse pai recobre a consciência, deixando de ser agressivo. Enfim, ter uma reação rápida para sobreviver ou se proteger em determinada situação pode ser vital.  A questão é que muitas vezes levamos isso adiante e em algum momento de nossas vidas acaba nos prejudicando, sendo uma percepção distorcida e exagerada do perigo. Acaba sendo desnecessário e precisamos ressignificar algumas coisas, avaliar se estamos sendo exagerados. A criança indefesa é hoje  um adulto que pode se defender melhor.  Já não mora com o pai violento, mas pode continuar interpretando a vida dessa forma. Podemos ficar hipervigilantes e ter uma percepção exagerada de reconhecer situações ameaçadoras ou perigosas.

Pensamentos ansiosos podem estar com foco no futuro também. São os famosos “E se…”

Por exemplo: E se eu não me apresentar bem? E se as pessoas não gostarem do que eu falo? E se eu perder meu emprego? E se o avião cair? E se ele me achar feia? E se eu não tirar a nota máxima?

Algumas pessoas experimentam a ansiedade de outras maneiras, como uma sensação de pressão, como se o tempo fosse curto, como se tivessem mais coisas para fazer do que tempo para fazer e outras pensam tanto sobre o que precisam fazer, que acabam gastando o tempo todo com isso e não saem do lugar, não concretizam.

A Terapia Cognitiva Comportamental trabalha de maneira eficaz para a redução e manejo da ansiedade. Utilizamos intervenções cognitivas, psicoeducação para que se conheça todo esse processo e para que se aprenda a lidar com essas questões. Utilizamos técnicas de relaxamento muscular, respiração, entre outras coisas. Podemos diminuir a percepção do perigo, ameaça e vulnerabilidade e aumentar a autoconfiança a lidar com situações desafiadoras e ameaçadoras. A reestruturação cognitiva  é um dos principais fatores para ter sucesso na terapia. É recomendável também praticar exercícios físicos, avaliar a alimentação com uma nutricionista, pois alguns alimentos potencializam a ansiedade, e trabalhar outras áreas para obter mais qualidade de vida.

Evitar é a marca mais característica da ansiedade. Quando evitamos uma situação, podemos até diminuir a ansiedade naquele momento, porém infelizmente, quanto mais evitamos, mais ansiosos nos tornamos em relação a situação. Isso faz com que cada vez mais, a ansiedade se fortaleça, podendo chegar a ser limitante, como por exemplo, uma pessoa não conseguir mais trabalhar, ou ir a um local público, ou não conseguir apresentar trabalhos na faculdade.

Os transtornos de ansiedade incluem as fobias, ataques de pânico, o  Transtorno de Estresse Pós- Traumático, o Transtorno de Ansiedade Generalizada, entre outros.

Ao sentir os sintomas físicos relatados, é muito importante fazer um check up com um médico, para descartar doenças físicas. Os principais sintomas são: tontura,  tensão muscular, batimento cardíaco acelerado, suor, tremores.

Dicas importantes para superar a ansiedade

  • Reconheça e aceite seus medos ou dificuldades;
  • Perceba se está tendo prejuízos significativos em sua vida por conta disso (está perdendo oportunidades, evitando situações, ficando sem vida social, evitando relacionamentos, entre outras coisas);
  • Procure ajuda especializada;
  • Entenda que existe tratamento adequado e procure concluí-lo, não desistindo do mesmo antes da hora;
  • Encare os transtornos de ansiedade como qualquer outra doença (diabetes, hipertensão, etc) e não como uma fraqueza;
  • Leve o tratamento a sério;
  • Aprenda sobre o assunto através de fontes de pesquisa  sérias, literaturas, filmes, etc;
  • Dedique-se, empenhe-se, comprometa-se, ajude-se a melhorar;
  • Mantenha uma comunicação clara com seu terapeuta;
  • Ajude-se buscando melhorias em várias áreas de sua vida, como saúde física, vida social, hobby, relacionamento amoroso, entre outras;
  • Evite bebidas alcoólicas, ou pelo menos, reduza a quantidade;
  • Busque saber que alimentos ou bebidas potencializam a ansiedade com um profissional especializado, bem como alimentos que ajudem no tratamento;
  • Planeje e organize melhor sua vida, reservando espaço também para lazer, descanso, uma boa noite de sono, exercício físico, etc;
  • Procure fazer um check up, pois a ansiedade pode ser gerada por outras questões, como tensão pré-menstrual (TPM), menopausa, alterações na tireoide, hipoglicemia, entre outros.
  • Permita-se trazer novas crenças e perspectivas para sua vida, novas experiências, pois podemos adquirir crenças e comportamentos mais assertivos;

Espero que tenha ajudado e vamos divulgar, pois você pode ter alguém ao seu lado, que sofre de ansiedade ou transtornos de ansiedade e não sabe que existe um caminho, um  tratamento.

Grande abraço!

Você conhece a Terapia Cognitivo Comportamental?

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stefania bueno

Dentro da psicologia temos várias abordagens.  A Terapia Cognitivo Comportamental, conhecida como TCC, é uma delas e tem sido muito difundida, buscada e tendo uma ótima aceitação. Dentro da TCC, existem muitas pesquisas e contribuições. Busca-se produzir conhecimentos clínicos cientificamente validados. É baseada em evidências. Ela tem tido um grande desenvolvimento tanto no número de pessoas que a buscam quanto na sua capacidade de tratar de forma eficaz inúmeras questões, necessidades e transtornos. Pode ser aplicada em indivíduos, grupos, crianças, adolescentes e adultos, com casais e famílias. É uma abordagem dinâmica, ativa, com foco e estruturada, que trabalha com objetividade e de forma breve. Aaron T. Beck é considerado “o pai” da TCC.  Ele percebeu, atendendo os pacientes com depressão, que havia um processamento cognitivo dessas pessoas, com uma visão muito pessimista de si mesmas, do mundo e do futuro. Através de muitos estudos sobre esses processos, desenvolveu o que chamamos de “modelo cognitivo”.

O modelo cognitivo propõe que os pensamentos que as pessoas têm ao longo do dia influenciam seu estado de humor e seu comportamento.

O enfoque da TCC é no presente, no aqui e agora, porém também buscamos conhecer e entender a trajetória da pessoa, o seu passado, suas experiências, como ela chegou até aqui. Mesmo com foco no presente, voltamos e abordamos questões do passado, quando for necessário, para entender questões do presente.

A relação entre o terapeuta e o paciente é fundamental para o sucesso da terapia. É necessário haver respeito, confiança, compromisso, aceitação incondicional da pessoa, sem haver julgamentos, para que a pessoa se sinta segura em trazer para sua vida novas experiências, modificar aquilo que reconhece como sendo necessário ou desejável. Existe uma relação de colaboração entre ambos. Estimulamos realizações pessoais, experiências, enfrentamentos, capacitação, sendo que o terapeuta tem que apresentar empatia, interesse, calor humano, autenticidade e clareza. Na TCC, a participação do paciente é ativa para seu processo de mudança. Trabalhamos para mostrar o quanto ele é dono de sua própria vida e os recursos internos que ele mesmo tem e talvez não se dê conta, como também o auxilamos a desenvolver recursos para sua evolução e sua capacidade de resolução de problemas. Ele escolhe o que deseja trabalhar e o que realmente lhe faz bem. Irá perceber a relação entre seus pensamentos, sentimentos, comportamentos e reações físicas, bem como conhecer as crenças que desenvolveu ao longo da vida e que influenciam na sua percepção dos fatos. Podemos desenvolver habilidades específicas, mais saudáveis, de acordo com suas necessidades e dentro de sua realidade. Procuramos auxiliar o paciente a reconhecer e a modificar pensamentos e comportamentos disfuncionais, transformando-os em  outros mais racionais, realistas e eficazes. A TCC prepara o paciente para ser autossuficiente e utilizar o que aprende, em terapia, na sua vida. O paciente adquire ferramentas para desenvolver novas habilidades com seus próprios recursos pessoais.

Quanto mais conhecemos e aprendemos, mais podemos ter um entendimento sobre  nossa vida e a maneira como agimos, podendo assim fazer escolhas mais assertivas.

A importância das habilidades sociais

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Com o estilo de vida que levamos hoje em dia, muitas vezes esquecemos que somos “seres sociais”. Cada dia que passa, evitamos pessoas e situações, para não termos conflitos para resolver e não termos mais coisas para fazer.  Nossa vida é corrida.  A vida há alguns anos era mais simples em relação ao papéis que tínhamos que seguir tanto no lado pessoal como no trabalho.  Os papéis eram bem definidos. Hoje o ritmo é acelerado, envolve várias atividades, o tempo é curto para tudo que temos para fazer. Temos que ser multifuncionais.  Atuamos em várias áreas ao mesmo tempo. Muitas pessoas não são felizes na vida social e não sendo felizes na vida social, terão dificuldade de serem felizes na vida em geral. Nossos filhos quase não tem a oportunidade de ter contato frente a frente com outras pessoas, para desenvolverem habilidades como a comunicação, empatia, respeito, tolerância, respeitar regras e limites, entre tantas outras coisas. Aprender a observar as reações do outro e saber a hora de parar ou de se posicionar, de falar, de expor seu ponto de vista, interagir com culturas diferentes é muito importante. Somente quando estamos dormindo, não estamos interagindo socialmente. Seja com uma pessoa ou com um grupo, olho no olho, ou pela internet, celular, estamos interagindo. Estamos desenvolvendo nosso conhecimento intelectual, porém não estamos prestando atenção no desenvolvimento da inteligência emocional. Você já teve a chance de ser atendido por um médico, ou até mesmo um empresário que fossem muito competentes em relação a conhecer bem seu trabalho, porém que não interagem de maneira eficiente com seus clientes, pacientes ou empregados? As pessoas que lidam com seres humanos precisam desenvolver habilidades sociais.

É possível desenvolver habilidades sociais?

Podemos desenvolver, aprender habilidades sociais. Não é necessário evitar as situações ou  procurar outro trabalho.  Quanto mais evitamos determinadas situações, mais a dificuldade aumenta. Muitas dificuldades que encontramos no dia a dia acontecem por falta de habilidades sociais, principalmente no trabalho, com a família, com os amigos, nos diferentes grupos, porém algumas pessoas não se dão conta disso e acabam acreditando que tudo dá errado, que as pessoas estão contra elas, que ninguém as respeita ou que elas não têm oportunidades. Isso até pode acontecer, mas em muitos casos, a própria pessoa permite que isso aconteça através de um padrão de comunicação ou comportamento. A comunicação entre as pessoas é fundamental na vida humana. Comunicar-se não é apenas falar, mas também saber ouvir, escolher o momento certo e a maneira certa de se expressar.

Veja os tipos de comportamentos que adotamos, segundo Vicente Caballo e entenda como podemos criar uma série de situações sem perceber:

Diferença entre comportamento assertivo, não-assertivo e agressivo

Comportamento Assertivo (Isso é o que eu acho/Isso é  o que eu sinto)

No comportamento assertivo, expressamos nossos próprios sentimentos, necessidades, direitos ou opiniões sem ameaçar ou castigar as pessoas. Respeitamos os direitos do outro e de nós mesmos. A mensagem básica é: isso é o que eu acho. Isso é o que eu sinto. É assim que eu vejo a situação. Não existe dominação, ganhar ou perder, humilhação ou diminuir a outra pessoa. É muito importante escolher o momento ideal, a postura, a expressão facial, a entonação e volume da voz.  A comunicação envolve tudo isso, inclusive o olhar.  Esse comportamento implica respeito, comunicação clara, direta e não ofensiva. O indivíduo que se comporta de forma assertiva, se defende bem em suas relações interpessoais, está satisfeito com sua vida social, e tem confiança em si mesmo para mudar quando for necessário. É importante se dar conta de si mesmo, olhar para dentro, olhar ao redor e perceber o contexto.  Com esse comportamento, diminuímos a ansiedade, temos relações mais íntimas e significativas, maior respeito a si mesmo e melhor adaptação social.

Comportamento Não-assertivo (Eu não conto – pode se aproveitar de mim)

Nesse comportamento, não respeitamos nossos direitos, pois não expressamos honestamente sentimentos, pensamentos e opiniões. A mensagem que passamos é: eu não conto, meus sentimentos não importam – somente os seus, meus pensamentos não são importantes – só os seus valem a pena serem ouvidos, eu não sou ninguém – você é superior, pode se aproveitar de mim. Evita-se o olhar, existe um padrão de fala vacilante, baixo volume da voz,  postura corporal tensa e movimentos nervosos ou inapropriados. É a falta de respeito com as próprias necessidades e com o outro, pois há  o entendimento que a outra pessoa não é capaz de lidar com as próprias frustrações, assumir responsabilidades e lidar com os próprios problemas. O objetivo é evitar conflitos a todo custo, inclusive quando custa a própria integridade. A pessoa sente-se incompreendida, não levada em conta e manipulada, tornando-se hostil, irritada, sentindo-se mal consigo mesma. Pode gerar sentimentos de culpa, depressão, ansiedade e baixa auto-estima. Podem desenvolver queixas psicossomáticas como dores de cabeça e úlceras devido a sentimentos reprimidos. Este individuo costuma ter uma avaliação de si mesmo como sendo inadequado, sentindo-se inferior, pode manter papéis subordinados em relação aos outros, ser excessivamente carente do apoio emocional dos outros,  e ter uma ansiedade interpessoal excessiva. São pessoas passivas.

Comportamento agressivo (Isso é o que eu penso e você é estúpido por pensar de forma  diferente/Isso é o que eu quero e o que você quer não é importante/Isso é o que eu sinto e seus sentimentos não contam)

Pode ser expresso de maneira direta ou indireta. Pode incluir ofensas, insultos, ameaças e comentários hostis ou humilhantes, gestos, olhares, e ataques físicos. Inclui também comentários sarcásticos, rancorosos e maliciosos. Pessoas com esse comportamento podem não ter relações duradouras e satisfatórias. O objeto da agressão é vencer, forçando a outra pessoa a perder. Tenta-se conseguir seus objetivos a qualquer preço.

Com base em estudos experimentais, Fordyce propôs os seguintes fundamentos para sermos  mais felizes:

1. Ser mais ativo e manter-se ocupado.

2. Passar mais tempo com atividades sociais.

3. Ser produtivo em um trabalho recompensador.

4. Organizar-se melhor.

5. Deixar de preocupar-se.

6. Diminuir as expectativas e as aspirações.

7. Desenvolver um pensamento positivo, otimista.

8. Situar-se no presente.

9. Ter bons autoconhecimento, auto-aceitação e auto-imagem.

10. Desenvolver uma personalidade sociável, extrovertida.

11. Ser autêntico.

12. Eliminar as tensões negativas.

13. Dar importância às relações intimas.

14. Valorizar e comprometer-se com a felicidade.

O desenvolvimento das habilidades sociais é primordial para nossa saúde emocional,  qualidade de vida e sucesso profissional. A maioria das situações são envolvidas por relacionamentos entre pessoas. A melhor maneira de desenvolver as pessoas emocionalmente é educando-as desde criança. Uma educação emocional para todos!